IN LOCO...por JANAÍNA ELIAS CHIARADIA

"Temos nosso próprio tempo...(Renato Russo)".

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

AJE-BRASIL (Associação Jurídico-Espírita do Brasil)

O Espiritismo e a humanização da Justiça

Em 1891, 22 anos após a desencarnação de Allan Kardec, um famoso médico e cientista, fundador da Antropologia Criminal, nascido na Itália, em Verona, no dia 6/11/1835, e desencarnado em Turim em 19/10/1909, há um século, passaria por fascinante experiência que mudaria radicalmente a sua concepção do homem.
O jornal Mundo Espírita, de fevereiro de 2009, comenta episódios, que transcrevemos, da vida
desse pensador, chamado Cesare Lombroso, um dos fundadores da corrente positivista do Direito Penal, cujas pesquisas e livros, notadamente sobre Antropologia Criminal, tornaram-no conhecido e respeitado mundialmente, e para o qual a personalidade moral nada mais era que
uma secreção do cérebro. E, nessa linha de raciocínio, a morte tudo extinguia.
Pesquisando sobre as causas primeiras dos atos delituosos, ele direcionou sua atenção à pessoa
do delinquente e concebeu sua famosa teoria do criminoso nato, também conhecida como teoria
lombrosiana, ainda hoje estudada nas faculdades de Direito e de Medicina, na cadeira de Medicina Legal.
Segundo o célebre pensador, o delito é fruto inexorável do homem incorrigível, havendo assim um criminoso nato, cuja origem estaria no atavismo, na herança da idade selvagem, da não-
-evolução de aspectos físicos e psíquicos. Ou seja, certos indivíduos trazem a predestinação criminosa inexoravelmente estampada na conformação fisionômica.
Mas naquele ano de 1891, cedendo às insistências de um amigo, o Prof. Ercole Chiaia, Lombroso foi assistir a uma experiência com a médium italiana Eusapia Palladino (1854-1918). Observou
então inúmeros fenômenos de efeitos físicos e admitiu a realidade dessas manifestações.
Contudo, qual a conclusão do eminente sábio? Preso às suas convicções materialistas, não podendo admitir pensamento sem cérebro e nem a sobrevivência do Espírito após a morte, entendeu que os ditos fenômenos eram causados por funções neurofisiológicas da também famosa sensitiva, Eusapia, como igualmente concluíram outros sábios, pesquisadores do universo dos fenômenos psíquicos.
Posteriormente, em 1902, durante outra sessão, estando Eusapia retida numa sala, Lombroso
percebeu que das cortinas emergiu um vulto que veio deslizando em sua direção. Um arrepio percorre-lhe a epiderme. Ele então reconhece... sua mãe! A mãe aproxima-se mais e o abraça carinhosamente, beijando-lhe a face. Ele a abraça também, sente sua carne, sente o seu calor. Embora portador de deficiência auditiva, ouve ela dizer-lhe: Cesare, meu filho!
Lombroso, a partir daí, leu tudo que havia sobre Espiritismo e escreveu um livro muito sugestivo:
Ricerche sui Fenomeni Ipnotici e Spiritici, traduzido no Brasil como Hipnotismo e Mediunidade e Hipnotismo e Espiritismo.
Nessa obra, ele refuta sua teoria do criminoso nato. Não é o tipo físico que determina o tipo psicológico, é exatamente o contrário.
Em 1906, entrevistado, ele declararia na revista Luce e Ombra:
Nenhum gigante do pensamento e da força poderia me fazer o que me fez essa pequena mulher analfabeta [referindo -se a Eusapia]: arrancar minha mãe do túmulo e devolvê-la aos meus braços.
Em 4 de janeiro de 2009, o jornal Estado de São Paulo publicou longo artigo do advogado Miguel Reale Júnior, professor da USP, membro da Academia Paulista de Letras e ex-ministro da Justiça, no qual o ilustre mestre do Direito comenta esse episódio na vida de Lombroso, fazendo conexão com os ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos.
Revendo essa fascinante história da vida do famoso pensador italiano, refleti como seria maravilhoso se todos os magistrados e operadores do Direito do Brasil, e do mundo, passassem por semelhante experiência paranormal, mas de consequências éticas, quando obteriam a comprovação de um dos pilares dos fundamentos do Espiritismo: a Imortalidade da Alma,
ao lado da Existência de Deus, da Reencarnação e da Lei de Causa e Efeito.

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